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Nem Lula, nem Bolsonaro, nem hexa. Vidente faz mais revelações sobre Brasil de 2018

Um banner instalado na recepção de um hotel na Asa Norte avisa: Carlinhos, o vidente famoso por ter “acertado” a queda do avião da Chapecoense, em 2016, atenderia no local pelos próximos três dias. A propaganda vinha acompanhada de uma foto do adivinho e uma lista de outras previsões certeiras – o divórcio de Lívia Andrade (para informação: modelo, dubladora e atualmente apresentadora do programa “Fofocalizando”, no SBT), a ausência de Neymar em um dos jogos da Copa do Mundo de 2014 e o fiasco do 7×1 contra a Alemanha.

Parece o bastante para convencer seguidores. Na sua quarta temporada de atendimentos na capital – a média é de uma visita a cada “dois ou três meses” –, ele esperava reunir 20 toneladas de alimentos e 10 mil brinquedos para doar a instituições carentes. As arrecadações são o ingresso da “consulta” com o guru. Quem quiser saber sobre o futuro precisa levar R$ 100 em alimentos ou cinco brinquedos de R$ 20 cada. Carlinhos enche a boca para dizer que sustenta 18 mil famílias com suas benfeitorias pelo país e que nunca ficou com nada recebido nesses encontros.

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Só uma porta e um segurança separavam Carlinhos de sua clientela. “Mexo muito com político. Então, esse pessoal aí me acompanha”, justifica. Já eram 15h da quinta-feira de feriado em Brasília (30/11), mas, na sala de espera, havia gente aguardando desde as 7h. Algumas ensaiavam a “selfie” perfeita para não perder a chance quando chegasse a hora. O vidente abre a porta com um sorriso largo. Fala alto, exala um cheiro forte de perfume. “Fiquem à vontade”, convida, simpático.

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Carlinhos, o vidente, na verdade não se chama Carlos. Nasceu José Ferreira dos Santos 55 anos atrás, em Galiléia, cidade mineira de 7 mil habitantes na região do Vale do Rio Doce. Ao contar sua história, fecha os olhos da mesma forma que faz quando está para adivinhar quem será o próximo presidente do Brasil.

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O apelido veio dos irmãos – ele é o mais velho de 11 –, que o chamavam de “Cacá”. “Aí, Cacá, Carlinhos”, conclui, como se fosse óbvio. Os pais eram crentes, muito pobres e perderam cinco filhos para a fome. O vidente mesmo passou dias sem comer até descobrir seu dom para adiantar coisas ainda por acontecer. Afirma que um velho cheio de feridas nos braços aparecia em seus sonhos, colocava a mão na sua “barriguinha” e dizia que ele seria o “curador de todas as enfermidades”. “Mas como, se eu era só um menino?”, indaga.

Te benzo e te curo
A resposta, prossegue, veio aos 9 anos. Segundo Carlinhos, foi quando uma vizinha moradora da mesma favela em Galiléia, uma noite, aos prantos, adentrou o barraco onde ele morava. A mulher procurava refúgio após ter tomado uma surra do marido. “Coloquei a mão na cabeça dela e, brincando, disse ‘te benzo e te curo’ e soltei um palavrão”, conta. “No dia seguinte, ela disse para a minha mãe que eu devia ter um pacto com o demônio, porque a dor tinha passado. Como minha mãe era muito crente, soltou um ‘sangue de Jesus tem poder!’”, detalha.

A história do dom de “cura” do menino correu pela cidade e, conforme suas memórias, a casa da família passou a ser ponto de peregrinação de doentes e mazelados dos arredores: “Pegavam minha mãozinha e colocavam onde doía”. Um delegado disse que tinha um time de policiais cheios de dores na coluna por conta do trabalho e pediu para o garoto usar o tal poder e curá-los. Em troca, encheria sua geladeira de comida. As caixas de leite passaram a ser tantas que ele começou a distribuir comida aos necessitados da cidade.

Desde então, Carlinhos vive da sua “vidência”. Embora não cobre pelas previsões, usa a fama que arrecadou com algumas premonições certeiras para angariar patrocínio. Às vezes, aparece com boné e camiseta de redes de supermercado em troca de uma espécie de salário e faz propaganda para uma dupla sertaneja. Trocou Minas pelo Paraná, mas vive na estrada. Só passa em Apucarana, cidade onde mora, “para trocar de mala”. No site, o vidente exibe uma agenda concorrida. Na próxima semana, vai distribuir previsões em Porto Alegre (RS), onde mais de 5 mil pessoas esperam por ele, pelas suas estimativas.

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